quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Palavras



Seta – vai à frente, singrando, quilha de pluma e pedra pontiaguda.

Aurora – círculo de salamandras queimando as bordas da noite.

Imaginação – o Vale da Sombra da Morte onde a Vida e a Luz penetram.

Novelo – cordão cortado logo à entrada umbilical do labirinto.

Mulher – serpente, queda, maçã e paraíso.

Pássaro – uma sombra que atravessa sobrevoando a folha branca.

Prece – p de pé descalço que pisa a cabeça da serpente sobre a relva.

Sonho – tudo o que se vê quando os olhos se abrem.

Nuvem – lição diária de feérico e efêmero.

Poeira – irmã bastarda das nuvens.

Montanhas – eMes e eNes que sobeM e desceM duraNte a Nossa jorNada.

Perdão – murmúrio sem resposta num mundo surdo-mudo.

Sombra – anfitriã nas festas negras do Vale da Morte.

Rei – monossílabo solitário na vastidão do seu universo.

Porta – pronúncia que pode abrir-se para o céu ou para o inferno.

Vento – cavalo e cavaleiro sedutor e destruidor de nuvens.

Trovão – rugido real envolto numa juba de silêncio.

Tempo – clareira rodeada de eternidade onde estronda o rugido do leão.

Filhote – tartamudear arrancado do seio da eternidade pelas mãos ásperas do tempo.

Riso – arco de juventude que se traça na face enrugada dos dias.

Fogo – espada escarlate varrendo e devorando os escorpiões em volta.

Noite – santa, vampira, mãe dos sonhos e dos mais belos pesadelos.

Ponte – arco que se estende da íris azul da terra a íris azul do céu.

Rio – murmúrio do tempo, voz que eterna muda.

Onda – som de sereia chamando o homem de areia para o abismo.

Mar – casa de esmeralda e espuma onde vive azul a voz da onda.

Fonte – no fundo do fundo o som inaudível de onde vem tua voz.


Antonio Moura

Um comentário:

Helena Saria disse...

passei por aqui pedroca...dá o crédito da foto bonitão...beijos