
Seta – vai à frente, singrando, quilha de pluma e pedra pontiaguda.
Aurora – círculo de salamandras queimando as bordas da noite.
Imaginação – o Vale da Sombra da Morte onde a Vida e a Luz penetram.
Novelo – cordão cortado logo à entrada umbilical do labirinto.
Mulher – serpente, queda, maçã e paraíso.
Pássaro – uma sombra que atravessa sobrevoando a folha branca.
Prece – p de pé descalço que pisa a cabeça da serpente sobre a relva.
Sonho – tudo o que se vê quando os olhos se abrem.
Nuvem – lição diária de feérico e efêmero.
Poeira – irmã bastarda das nuvens.
Montanhas – eMes e eNes que sobeM e desceM duraNte a Nossa jorNada.
Perdão – murmúrio sem resposta num mundo surdo-mudo.
Sombra – anfitriã nas festas negras do Vale da Morte.
Rei – monossílabo solitário na vastidão do seu universo.
Porta – pronúncia que pode abrir-se para o céu ou para o inferno.
Vento – cavalo e cavaleiro sedutor e destruidor de nuvens.
Trovão – rugido real envolto numa juba de silêncio.
Tempo – clareira rodeada de eternidade onde estronda o rugido do leão.
Filhote – tartamudear arrancado do seio da eternidade pelas mãos ásperas do tempo.
Riso – arco de juventude que se traça na face enrugada dos dias.
Fogo – espada escarlate varrendo e devorando os escorpiões em volta.
Noite – santa, vampira, mãe dos sonhos e dos mais belos pesadelos.
Ponte – arco que se estende da íris azul da terra a íris azul do céu.
Rio – murmúrio do tempo, voz que eterna muda.
Onda – som de sereia chamando o homem de areia para o abismo.
Mar – casa de esmeralda e espuma onde vive azul a voz da onda.
Fonte – no fundo do fundo o som inaudível de onde vem tua voz.
Antonio Moura